terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dilma sabe do que fala. E o povo? Entende?

Acabei de ver a entrevista que a candidata Dilma Inácio da Silva deu ontem à noite para o Jornal da Globo. Não esperava ver nos apresentadores o ataque que o casal Bonner fez contra ela no Jornal Nacional. Mas assisti a tudo sabendo o que procurava. Afinal, jornalismo imparcial na Globo não existe nem na hora de uma transmissão de futebol entre o Flamengo e o Asa de Arapiraca.
Dessa vez, os apresentadores do programa deram chance a Dilma falar. Mas não deram chance a ela falar com o povo. E ela aproveitou e falou, falou e falou, mas não com o povo. As perguntas foram dirigidas a um técnico e não a um político. Então direcionaram certo. Dilma sempre foi técnica e nunca política. Lula, diferente de sua comandada nunca foi técnico, nunca teve experiência administrativa em governo nenhum, mas sempre foi político.
Em determinado momento, Willian Waack fez a seguinte pergunta à candidata: Como é que nós vamos conseguir manter o mesmo ritmo (de crescimento) sem fazer um severo ajuste fiscal. A senhora já está pensando nisso? Dilma emendou uma resposta que economistas, cientistas políticos e empresários entenderam bem. Falou de ajuste fiscal citando o PIB, a inflação, a dívida liquida, o regime de caixa. Ela caiu direitinho na pegadinha do malandro. Lula responderia algo do tipo:
- Willian, o ajuste fiscal pode até acontecer, mas o povo, que paga tanto imposto, não pode mais ser sobrecarregado. Ele precisa é ver o dinheirinho dele render comida, que eu que passei fome sei da importância.
Alguém lembraria que a pergunta era sobre o severo ajuste fiscal? Para encerrar a entrevista, quando faltava um minuto e parecia que Christiane Pelajo pediria as considerações finais, dando tempo para Dilma, Willian Waack interrompeu e jogou no ar: Contas externas... elas estão piorando. Como é que a senhora pretende inverter esse quadro? E mais uma vez Dilma caiu. Gastou seu último minuto falando da OCDE, bens intermediários, taxas de juros internacionais sem sequer dar boa noite para a população.
Lula era o operário que falava com o povo, do jeito que o povo entendia. Dilma é aquela que sentava numa sala da fábrica e quando descia para conversar com os operários falava bonito, mas no final os deixava perguntando: o que ela disse?

A entrevista completa você lê e assiste aqui:
http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/08/dilma-rousseff-e-entrevistada-pelo-jornal-da-globo.html

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dilma Presidente, Serra Vice.

Fidelidade nunca foi o forte dos nossos políticos brasileiros. E que fique claro que não estamos falando aqui de vidas particulares e matrimoniais. Ou melhor, que fique claro que não estamos falando somente disso. Porque então não sugerir uma aliança dessas? Dilma na presidência e Serra como vice. E digo mais! Marina Silva Chefe da Casa Civil, o cargo mais importante após o de Presidente da República, segundo o programa político de Dilma na TV.
Estava vendo a pouco o programa dos candidatos à presidência e me surpreendi positivamente. Todos os 3 principais postulantes ao cargo são tão preparados, tão honestos, tão lindinhos e fofos! Porque não compormos uma chapa então com eles? Quanta proposta boa. São tão boas quanto iguais.
Hoje o programa de Serra teve o foco no tema Educação. Com muito orgulho o candidato levantou a bandeira das Escolas Técnicas. Mostrou quantas ele fez em São Paulo e o quanto elas ajudaram os cidadãos a terem mais oportunidades e qualificação profissional. Como um bom telespectador obediente, fui convencido de que é uma excelente ideia e que deve sim ser implantada amplamente no Brasil inteiro.
O programa de Dilma falou de tudo. Que o Lula fez. Inclusive das muitas Escolas Técnicas espalhadas pelo Brasil e que continuarão sendo criadas com a Dilma, ajudando brasileiros a terem mais oportunidades e qualificação profissional. O curioso é que fui convencido. Também.
E o programa da Marina? Ela apresentou uma equipe de primeiríssima. formados em Harvard, com experiências diversas, estudos rebuscados e até o criador dos Genéricos. E eu juro! Não era o Serra! E qual o problema dos genéricos terem mais de um “pai”? Tem tanta criança nesse país sem pai nenhum. Se os remedinhos tem mais de um, sorte deles, né?
Por que então não juntar tudo de bom e fazer um só programa de governo. Dilma presidente, Serra vice e Marina chefe da Casa Civil. A aliança é esdrúxula? E a do Lula com o Sarney não?

Enquanto isso, no twitter… - em 20/08/2010

O horário eleitoral começou essa semana com uma grande novidade: pela primeira vez na nova era democrática brasileira o ex-sindicalista Luis Inácio não aparece na TV como candidato à presidência. Por outro lado, novidade nenhuma, Lula divide espaço com Dilma e até mesmo em um jingle do Zé aparece lá na letra do animado Samba da Falsa Laje (uma excelente sugestão de nome para uma nova letra de Chico Buarque).
Se José Serra ganhou menos tempo nos programas de rádio e TV que Dilma ele pode tirar essa “desvantagem” nos minutos de aparições, afinal, Lula rouba alguns preciosos segundos, nos poupando de ver a face risonha e límpida da Dilma (ela não tem um quê de Vanusa?).
Brincadeiras à parte, os programas eleitorais dos presidenciáveis não mostraram nada de novo. Especialistas já dão como certa a vitória de Dilma em primeiro turno, caso nenhum fato novo venha a acontecer. Dilma aparece em imagem plastificada e pasteurizada, síntese do que seus marqueteiros entenderam ser o caminho depois de pesquisas quali e quanti. O programa do Serra era de verdade ou era déjà vu? Eu juro que acho que já vi ele antes… O resto… Foi o resto. Não vai significar nada. A esperança que Marina e algum outro candidato pudesse dividir a população e ajudar Serra a levar o pleito para segundo turno parece não se confirmar.
E com tudo isso acontecendo, lá está a classe media no twitter e youtube. José Serra virou comedor, como um garanhão, mas não como uma população faminta. Tiririca virou piada. Quer dizer, continuou sendo piada. Quer dizer, continuou não sendo piada. Mas enquanto a classe média brinca e experimenta as primeiras eleições da época virtual e interativa, a grande massa continua decidindo eleição.
No nosso círculo de amizade estamos acostumados a ouvir coisas do tipo: ‘todo mundo que eu conheço vai votar na Marina. Como pode ela ter tão pouco ponto nas pesquisas?’. Vai ver que todo mundo que você conhece não é ninguém. A classe média se fecha em seus grupinhos e não vê que as eleições são decididas por aqueles que não fazem parte do seu pequeno mundo. Afinal, são eles, ‘o povão’, a maioria da população.
Desde o fim do apartheid a África do Sul passou a ser liderada por presidentes negros. Antes disso, só não era porque a maioria negra não tinha direito a voto. Um dia acompanhava uma reportagem no país sobre o mundo pós-apartheid e o jornalista perguntou a um negro: ‘se em uma eleição um candidato branco for comprovadamente melhor que o candidato negro, você votaria nele?’. Após uma risada sem graça o africano respondeu que não.
Sempre a maioria decidirá uma eleição, mesmo que depois e como sempre o governo seja democraticamente feito por poucos e para poucos.

Os Bonner's 2 - em 12/08/2010

Uma análise das entrevistas dos presidenciáveis ao casal 10:

A primeira pergunta deles para Dilma Rousef: O seu nome foi uma indicação do presidente Lula. Algumas pessoas do PT consideraram uma escolha até mesmo autoritária. Por outro lado, a Sra. Não tem experiência eleitoral NENHUMA até esse momento. A sra se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?

A primeira pergunta deles para Marina Green: Candidata, a sua experiência como Ministra e Senadora foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A sra não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como a sra pretende convencer o eleitor de que sua canditatura é pra valer e não somente para marcar posição nessa questão do meio ambiente?

A primeira pergunta deles para José Serra: Candidato, desde o início da campanha o senhor tem evitado criticar o presidente Lula, em alguns casos chegando até a elogiar. O Sr. acha que é essa postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?

Preocupado com tempos regulamentares e prorrogações desse jogo, me atentei para o tempo levado para se fazer cada uma das perguntas iniciais das sabatinas. Os Bonner’s levaram 23 segundos para formular a primeira pergunta para Dilma. 19 segundos para a Marina e apenas 13 segundos para levantar a bola para José Serra. Sim, saindo do campo do futebol para as quadras de volei, a pergunta inicial para o conde drácula brasileiro foi uma levantada sem bloqueio do outro lado. Serra, apesar da idade avançada, aproveitou, deu um belo salto e cortou uma bola fácil, fácil.

Mas todo publicitário que trabalha com campanha política fica pensando nas respostas dos candidatos e imaginando o que responderia em cada pergunta. Eugenio Mohallen, um dos mais famosos e bem sucedidos redatores do Brasil falou um dia desses: ‘Chega de intermediários. Vamos fazer logo um debate entre marqueteiros.’ E a ideia é excelente. Mas fiquei imaginando o que eu no lugar de cada um dos presidenciáveis responderia às perguntas acima.

A primeira pergunta deles para Vilma Rousef: O seu nome foi uma indicação do presidente Lula. Algumas pessoas do PT consideraram uma escolha até mesmo autoritária. Por outro lado, a Sra. Não tem experiência eleitoral NENHUMA até esse momento. A sra se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?
O que eu responderia: Veja bem Fátima. Antes de ser mãe, você não tinha tido experiência maternal NENHUMA! E nasceram logo 3 de uma vez! Por que você não enviou duas para um orfanato até se sentir preparada para assumir tamanha responsabilidade?

A primeira pergunta deles para Marina Green: Candidata, a sua experiência como Ministra e Senadora foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A sra não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como a sra pretende convencer o eleitor de que sua canditatura é pra valer e não somente para marcar posição nessa questão do meio ambiente?
O que eu responderia: Você está certa, Fátima. Como senadora minha experiência foi voltada somente para a área do meio ambiente. Sempre que tinha uma lei para ser votada de outro assunto eu saia do plenário e ia plantar umas árvores lá fora...

A primeira pergunta deles para José Serra: Candidato, desde o início da campanha o senhor tem evitado criticar o presidente Lula, em alguns casos chegando até a elogiar. O Sr. acha que é essa postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?
O que eu responderia: Sim. Eu sou humilde. Muito obrigado. Eu sou demais né?

Os Bonner's - em 10/08/2010

Entrei no meu folhetim matinal Twitter hoje e vi nos Trending Topics que alguma coisa havia acontecido ontem entre Dilma, Fátima e Willian Bonner. Não tinha visto a estrevista ontem. Não me impressionei com os comentários do tipo “Cala Boca Dilma”. O público tuiteiro é um público muito maria-vai-com-as-outras. É só lançar uma modinha que vira trending topic. Se tornou publicizado então que Dilma foi esculachada pelo casal 10. E como diria um daqueles teóricos comunicadores (se não me engano Adorno): o que é publicizado se torna real. Talvez isso tenha sido verdade algum dia. Nos dias de hoje, de matrixes e mundos virtuais, muitas realidades podem ser construídas e conviverem harmônicamente com outras realidades conflitantes ou não.
Por isso mesmo fui ao twitter do meu amigo Lelê Teles, conferir os resultados da entrevista da Lula (sim, o feminino de Lula é... Lula). E como é bom perceber que eu estava certo. Existia outra verdade naquilo tudo. Dilma massacrou o casal 10. Se defendeu astutamente e saiu triunfante e vitoriosa da entrevista, segundo o filósofo e comunicólogo Lelê Teles.
Agora sim estava pronto para assistir a entrevista. Fui no youtube e conferi na íntegra os 12 minutos e 22 segundos de sabatina. E a verdade estava ali estampada: o casal mais fofo da TV brasileira mostrou as garras e não deu chances para Dilma. Eles realmente fizeram a candidata do PT e do PMDB perder o rumo por alguns momentos, colocando a Baixada Santista no Rio de Janeiro. Como eu disse, a verdade estava ali estampada: Dilma se defendeu muito bem em diversos momentos dos ataques grosseiros e cortadas deselegantes dos Bonner’s. Mostrou que vem sendo bem treinada para responder cada vez melhor aos ataques. Isso quer dizer que os tuiteiros classe média emergente estavam certos. Isso quer dizer que meu camarada Lelê também estava certo. E que ambos estavam errados, sem tirar-lhes a razão.
Um dia estava na mesa de um bar com um grande amigo e contei a ele um caso de uma amiga que me ligava sempre, reclamava do namorado, falava que ele não lhe dava atenção e que provavelmente tinha outra. Quando eu discorria sobre as maldades do crápula que namorava a menina, meu amigo sabiamente me interrompeu e disse: “toda história tem 3 verdades: a dela, a dele e a verdadeira. Você só ouviu a verdade dela. Como será a verdade dele?”. E não é que ele tinha razão. Muitas vezes duas versões da mesma história são tão reais quanto contraditórias.
E quem não concordar comigo que invente a sua verdade.