quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Enquanto isso, no twitter… - em 20/08/2010

O horário eleitoral começou essa semana com uma grande novidade: pela primeira vez na nova era democrática brasileira o ex-sindicalista Luis Inácio não aparece na TV como candidato à presidência. Por outro lado, novidade nenhuma, Lula divide espaço com Dilma e até mesmo em um jingle do Zé aparece lá na letra do animado Samba da Falsa Laje (uma excelente sugestão de nome para uma nova letra de Chico Buarque).
Se José Serra ganhou menos tempo nos programas de rádio e TV que Dilma ele pode tirar essa “desvantagem” nos minutos de aparições, afinal, Lula rouba alguns preciosos segundos, nos poupando de ver a face risonha e límpida da Dilma (ela não tem um quê de Vanusa?).
Brincadeiras à parte, os programas eleitorais dos presidenciáveis não mostraram nada de novo. Especialistas já dão como certa a vitória de Dilma em primeiro turno, caso nenhum fato novo venha a acontecer. Dilma aparece em imagem plastificada e pasteurizada, síntese do que seus marqueteiros entenderam ser o caminho depois de pesquisas quali e quanti. O programa do Serra era de verdade ou era déjà vu? Eu juro que acho que já vi ele antes… O resto… Foi o resto. Não vai significar nada. A esperança que Marina e algum outro candidato pudesse dividir a população e ajudar Serra a levar o pleito para segundo turno parece não se confirmar.
E com tudo isso acontecendo, lá está a classe media no twitter e youtube. José Serra virou comedor, como um garanhão, mas não como uma população faminta. Tiririca virou piada. Quer dizer, continuou sendo piada. Quer dizer, continuou não sendo piada. Mas enquanto a classe média brinca e experimenta as primeiras eleições da época virtual e interativa, a grande massa continua decidindo eleição.
No nosso círculo de amizade estamos acostumados a ouvir coisas do tipo: ‘todo mundo que eu conheço vai votar na Marina. Como pode ela ter tão pouco ponto nas pesquisas?’. Vai ver que todo mundo que você conhece não é ninguém. A classe média se fecha em seus grupinhos e não vê que as eleições são decididas por aqueles que não fazem parte do seu pequeno mundo. Afinal, são eles, ‘o povão’, a maioria da população.
Desde o fim do apartheid a África do Sul passou a ser liderada por presidentes negros. Antes disso, só não era porque a maioria negra não tinha direito a voto. Um dia acompanhava uma reportagem no país sobre o mundo pós-apartheid e o jornalista perguntou a um negro: ‘se em uma eleição um candidato branco for comprovadamente melhor que o candidato negro, você votaria nele?’. Após uma risada sem graça o africano respondeu que não.
Sempre a maioria decidirá uma eleição, mesmo que depois e como sempre o governo seja democraticamente feito por poucos e para poucos.

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