Entrei no meu folhetim matinal Twitter hoje e vi nos Trending Topics que alguma coisa havia acontecido ontem entre Dilma, Fátima e Willian Bonner. Não tinha visto a estrevista ontem. Não me impressionei com os comentários do tipo “Cala Boca Dilma”. O público tuiteiro é um público muito maria-vai-com-as-outras. É só lançar uma modinha que vira trending topic. Se tornou publicizado então que Dilma foi esculachada pelo casal 10. E como diria um daqueles teóricos comunicadores (se não me engano Adorno): o que é publicizado se torna real. Talvez isso tenha sido verdade algum dia. Nos dias de hoje, de matrixes e mundos virtuais, muitas realidades podem ser construídas e conviverem harmônicamente com outras realidades conflitantes ou não.
Por isso mesmo fui ao twitter do meu amigo Lelê Teles, conferir os resultados da entrevista da Lula (sim, o feminino de Lula é... Lula). E como é bom perceber que eu estava certo. Existia outra verdade naquilo tudo. Dilma massacrou o casal 10. Se defendeu astutamente e saiu triunfante e vitoriosa da entrevista, segundo o filósofo e comunicólogo Lelê Teles.
Agora sim estava pronto para assistir a entrevista. Fui no youtube e conferi na íntegra os 12 minutos e 22 segundos de sabatina. E a verdade estava ali estampada: o casal mais fofo da TV brasileira mostrou as garras e não deu chances para Dilma. Eles realmente fizeram a candidata do PT e do PMDB perder o rumo por alguns momentos, colocando a Baixada Santista no Rio de Janeiro. Como eu disse, a verdade estava ali estampada: Dilma se defendeu muito bem em diversos momentos dos ataques grosseiros e cortadas deselegantes dos Bonner’s. Mostrou que vem sendo bem treinada para responder cada vez melhor aos ataques. Isso quer dizer que os tuiteiros classe média emergente estavam certos. Isso quer dizer que meu camarada Lelê também estava certo. E que ambos estavam errados, sem tirar-lhes a razão.
Um dia estava na mesa de um bar com um grande amigo e contei a ele um caso de uma amiga que me ligava sempre, reclamava do namorado, falava que ele não lhe dava atenção e que provavelmente tinha outra. Quando eu discorria sobre as maldades do crápula que namorava a menina, meu amigo sabiamente me interrompeu e disse: “toda história tem 3 verdades: a dela, a dele e a verdadeira. Você só ouviu a verdade dela. Como será a verdade dele?”. E não é que ele tinha razão. Muitas vezes duas versões da mesma história são tão reais quanto contraditórias.
E quem não concordar comigo que invente a sua verdade.
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