terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vice?

Desde nossas primeiras eleições diretas após o período militar o vice-presidente é um cargo que vai além do cabide político. Sarney assumiu ainda antes das primeiras diretas, depois Itamar sucedeu Collor. Na era FHC, Magro Maciel passou praticamente despercebido. José Alencar teve mais destaque, até mesmo por sua luta contra o câncer que o Brasil inteiro acompanha nesses 8 anos.

Mas não se pode dizer que alguma vez um vice ganhou uma eleição diretamente. O Zé Alencar ajudou a consolidar alianças políticas e deu a Lula uma credibilidade que nunca tinha tido com... Quem foram seus vices em candidaturas que saiu derrotado mesmo? Se o vice-presidente é uma figura que fica para segundo plano, o que dirá do aspirante a vice-alguma-coisa?

Em Brasília, ninguém entendeu a escolha de Tadeu Filipelli para vice de Agnelo. Quer dizer, muita gente não acreditou, mas entendeu. O papel do vice, mais que decorativo, é o de fazer as alianças valerem. Mas a verdade é que o verdadeiro eleitor de Agnelo teria pavor de que acontecesse com ele o que aconteceu com Collor. O mesmo medo que o eleitor da Mãe Dilma tem de que aconteça com ela o mesmo que Tancredo. Bate na madeira treze vezes.

O Zé. O Serra, disse ontem em sabatina na OAB que “o vice é uma coisa que vem do passado. O vice hoje é para composição política. Muitas vezes soma ao contrário”. Sabe o que fala o Zé. Seu vice, Índio da Costa é a própria soma ao contrário. Suas declarações de que o PT tinha ligações com as FARC não tiveram repercussão a ponto de gerar mudança na campanha. Se ele foi escolhido para ser um franco atirador, os tiros não tem dado certo. Serra tem razão quando diz que vice é coisa do passado. Ficou no passado, mais precisamente, quando Aécio recusou o cargo na chapa. Ser contra um vice como o Índio da Costa é mole. E se fosse o Aecinho? Mas o neto, de Tancredo (o mesmo a dar lugar ao primeiro vice dessa história) também não gosta de ser vice. Pudera. Nem o Vasco que está tão acostumado não gosta.

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