Fui a um seminário no ano passada em que muitos marqueteiros políticos reclamavam do tamanho da campanha política no Brasil. Somente 4 meses, enquanto que nos Estados Unidos e em outros países o processo leva até mais de um ano, até mesmo porque, no caso dos EUA, cada estado faz sua votação em uma data. A discussão rendeu até que um dos palestrantes tomou a palavra e disse que as eleições no Brasil eram as mais demoradas do mundo: duram 4 anos.
É nesse contexto que passo a escrever sobre as eleições de 2014 que já começaram quando Serra foi à imprensa dizer que não era um adeus, mas sim um até logo. Será que o presidente Lula não pensa em repetir esse discurso na entrega da faixa?
Agora é a hora de compararmos os discursos. Foram 4 meses de promessas e os políticos eleitos terão 4 anos para cumprí-las ou fazer com que esqueçamos delas. Uma vez ouvi de um candidato ao governo do Rio de Janeiro que o discurso não poderia ser maior que o recurso, nem o palanque maior que o palácio. Hoje, ouvindo a CBN pela manhã, o governador eleito do Espírito Santo tentava explicar porque Dilma prometera a duas semanas, em entrevista à mesma rádio, não aumentar a carga tributária e ontem já especulava a volta da CPMF.
As equipes de transição entram em cena para passar uma borracha nas promessas e escrever novas propostas dentro da realidade e dos interesses partidários. Pesquisa do Datafolha, realizada 10 dias após o 1º turno, revela que 30% dos eleitores não se lembram em quem votaram para deputado federal. Esquecer quais eram suas promessas deve ser ainda mais fácil.