terça-feira, 9 de agosto de 2011

3 milhões é merreca.

O que você faria com 3 milhões de reais hoje? Aqui em Brasília, em alguns bairros, você não conseguiria pagar nem 2 apartamentos inteiros. Talvez em um local mais afastado você conseguisse até 12 apartamentos bem pequenos. Se o intuito fosse comprar alguns carros de luxo, você poderia adquirir uns 30 automóveis importados, de grande conforto. Mas o que são 3 milhões para os cofres públicos tão acostumados a desfalques muito maiores. Ou melhor, o que são 3 milhões para políticos acostumados a cifras muito maiores que essas para financiar uma campanha eleitoral qualquer.

A Polícia Federal prendeu 33 com por esse valor. Em uma operação hoje cedo, no raiar do dia, levou funcionários do Ministério e da Embratur para trás das grades. E gente grande como o segundo no escalão do Ministério. Mais um escândalo para a conta do Governo Dilma. Nos últimos dias a presidenta teve que conviver com mais escândalos do que muito presidente em um mandato inteiro. Hoje, o ex-presidente Sarney, perguntado se lembrava de algum governo com tantos escândalos em pouco mais de um semestre, recorreu à idade para responder que a memória já não era muito boa.

Mas a questão aqui não é falar desse escândalo em si, mas da quantidade e da forma como esse e outros aparecem nos últimos dias. Muricy Ramalho no lugar de Dilma estaria abandonando o barco por conta da quantidade de ratos que já se amontoam em Brasília, talvez levados ali pelo cheiro podre de pizza deixado nos últimos anos. Existe algo de podre no reino de Dilma. Hoje, muito ministro vai dormir em paz porque não foi a bola da vez, mas irão acordar ligando para assessores para saber se já descobriram algo de seus ministérios no dia seguinte.

Não podemos criticar uma ação contra a corrupção. Mas 3 milhões de reais são roubados aqui e ali, em qualquer corredor de qualquer governo no Brasil. E prender 33 pessoas pelo desvio dessa quantia em dinheiro é algo impensável para o país que acolhe corruptos. A quantia dividida igualmente daria pouco mais de 90 mil reais para cada um dos envolvidos. Quem se submete a tamanho risco por conta desse valor hoje no governo? Se é pra fazer, que faça bem feito. Se é pra roubar, que seja direito.

A Polícia Federal fez seu papel, mas resta saber a pedido de quem. Os ministérios em Brasília estão se acostumando a estar mais nas páginas policiais que políticas. Se isso não é para arranhar a imagem(?) de Dilma, para que seria? Varrer a corrupção é um grande serviço que a PF faz para o país. Mas seria ainda melhor se ela encontrasse os 3 x 33 milhões levados pelos mensalões e caixa de pandora. Se não for assim, que deixem os corruptos do Turismo com esse trocado.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A videoteca do Durval

O cineasta Durval Barbosa continua fazendo sucesso com seus vídeos. Após ganhar todos os veículos de comunicação no ano passado com seus primeiros trabalhos, volta a cena agora com a sequência que parece não ter um final programado. Assim que as primeiras gravações apareceram Durval passou a ser escondido, escoltado, protegido e temido. Diziam que a sua videoteca era muito maior. Em Brasília todos desconfiavam que uma pessoa ao seu lado pudesse também estar em uma gravação ainda não divulgada.

O que espanta é a demora para o lançamento de vídeos inéditos. O último divulgado essa semana, estrelando Jaqueline Roriz, foi gravado em 2006. Por que então não foi levado à público junto com a primeira leva de gravações? À época deputada distrital, Jaqueline condenou os políticos como Eurides Brito, que receberam propina na mesma sala que ela recebeu. Por que esperar que ela seja eleita deputada federal?

Imaginemos um cúmplice de uma gangue de assassinos de aluguel que grava todos os crimes cometidos. A polícia o captura e ele aos poucos vai divulgando os vídeos que fez. Mas quando a polícia exige que ele mostre todos os vídeos para que toda a gangue seja capturada ele informa:
- Não vai dar. Tenho mais de 100 vídeos que incriminam muita gente, mas por enquanto só vou mostrar esses 6. Por enquanto vocês prendem só eles. Eu respondo em liberdade por ser cúmplice dos crimes. E aos poucos, quando eu tiver afim, eu entrego outros vídeos.

O que é mais esdrúxulo? Um bandido propor isso ou a polícia aceitar? A polícia tem aceitado, a mídia tem aceitado e, o que é pior, a sociedade tem aceitado. Durval não tem o direito de esconder sua videoteca e mostrar aos poucos, como melhor lhe convém. Muito menos de sair alugando filmes para quem pagar mais. Ou entregando quem não pagar.

 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por onde andam os presidenciáveis

Acabo de ler um posto no Blog do Noblat perguntando onde está Marina, a candidata fenômeno do ano passado. O texto é do colunista da Veja Ricardo Setti. Ele coloca que os quase 20 milhões de eleitores Marineiros estão esperando uma aparição da ex-candidata (ou futura-candidata) em meio a alta de juros, cortes nos gastos e discussões sobre o salário mínimo. Se Marina não está dando as caras, e quanto aos outros pré-sidenciáveis?

A dupla FH e Zé não perdem uma oportunidade de bater em tudo que for feito ou deixar de ser feito no governo Dilma. Sem esquecer, obviamente que tudo que for feito errado, ou que não for feito certo é resultado de uma herança maldita. Deixando claro que a herança maldita foi construída em 8 anos destruindo uma herança bendita que eles haviam deixado.

Aécio parece sempre continuar estudando o próximo passo. Ele já havia previsto seu comportamento com o discurso da “oposição do bem”. Mas os tucanos mais radicais mudam o tom do discurso para “bem que ele podia ser oposição”. Mas Aécio não sai do armário. Será que ele é, o próximo candidato?

E o próximo candidato do PT?  Dilma se preocupa em trabalhar. Quando fala muito não empolga, como em um discurso no interior da Bahia essa semana quando ganhou os maiores aplausos somente quando citou o mais provável próximo-candidato Lula. Ele que tem a situação mais confortável: se ela fizer tudo certo, ele volta pra continuar o que deixou para concluir; se ela estragar tudo ele volta porque tem que consertar e fazer o que deixou para concluir.

O que Marina pode fazer nesse cenário? A Bíblia nos aconselha a estarmos sempre prontos a ouvir e sermos tardios e sábios quando tivermos que falar. Marina, como seguidora dos ensinamentos, parece se recolher, mas nem por isso perde sua força. Afinal, ela podia estar na mídia falando alguma besteira só pra gerar polêmica, como o Ciro provavelmente vai fazer daqui a alguns dias.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Não sabe ler e sabe escrever

O palhaço Tiririca promete ser alvo fácil da imprensa nos próximos 4 anos. Existe uma máxima dentro das redações de jornais que diz: “se não tem pauta para amanhã, é só ir pra porta de um hospital que aparece”. É impossível se passar um dia em um hospital público e não criar uma manchete sensacionalista para o dia seguinte. O descaso com um paciente, a demora no atendimento ou a falta de médicos sempre serão prato cheio para a imprensa. E o Tiririca parece se tornar o hospital público dos próximos anos. Tá faltando escândalo no Congresso? Passa lá e faça um deputado de palhaço.

Hoje estava programada a sua estréia discursando para seus colegas. A imprensa já preparava suas notinhas. A burguesia no twitter já preparava um trending topics do tipo #piorquetápodeficar. Mas esse primeiro discurso já foi adiado. Eu no lugar do palhaço, bem ali no meio do picadeiro faria sim minha primeira declaração no plenário de forma simples e direta:

“Não sei ler. E por isso mesmo, sei bem o que escrever”.

Se ele quiser, saberá bem escrever seu nome na história da Casa. O seu partido tenta blindar seu deputado mais votado, escondendo-o e fazendo que ele fuja de perguntas e declarações públicas. Mas é bom que saibam que se ele falar alguma coisa, a imprensa fará disso notícia, se ele não falar, a imprensa falará dele e por ele.

Na semana passada, quando foi indicado para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara, virou assunto preferido entre aqueles que querem fazer do seu mandato uma piada maior que foi sua campanha eleitoral. Como se sua indicação fosse pior que a de João Paulo Cunha para presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Um presidente que passou fome não era o mais indicado para acabar com a fome da população? Por que um deputado que não teve educação não pode saber levar ao povo aquilo que não teve condições de ter?

E, por fim, quem critica Tiririca na Comissão de Educação não percebeu que a Comissão é de Educação e Cultura. Tiririca em uma comissão de Cultura? Isso sim poderia ser questinável. Mas deixem que o deputado tente escrever uma história diferente para nossa educação. Coisa que muitos letrados não conseguiram.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Deixa a mulher trabalhar

Em sua campanha de reeleição em 2006 a equipe de Lula adotou em alguns de seus programas políticos a frase “deixa o homem trabalhar”. Depois de 8 anos chegou a vez da mulher trabalhar. E Dilma, que sempre foi vista como uma executora e não como uma política mostrou que realmente é isso mesmo. Fez ministros ficarem em Brasília de plantão, caso ela convocasse, colocou técnicos de carreira em importantes cargos, chamou para si a responsabilidade e assumiu cortes de gastos e até mesmo fez questão de mostrar a cara no desastre do Rio no início do ano.

Então se ela está trabalhando está ok, certo? Estaria se o brasileiro não tivesse como passatempo preferido criticar. Se está viajando, o presidente é turista. Se fica demais no país não se importa com política externa. Se inaugura uma obra todo dia, é porque está fazendo propaganda. Se não inaugura, é porque não está trabalhando. Se não vai de perto acompanhar o que pode ser feito em meio a uma catástrofe é um presidente ausente. Aí quando vai é porque está pensando nas eleições daqui 3 anos?

Ontem li em um blog que nem Aécio, nem José Serra, nem Eduardo Campos são os maiores empecilhos para a volta de Lula em 2015 e sim Dilma. Até o PT deu indícios de que não está gostando muito dessa super-eficiência da presidenta. Acham que ela quer ser mais popular que o ex-presidente. E nunca será! Mas ficar dentro do palácio guardando o lugar pro Lulinha ela também não vai fazer. Ao contrário de seu antecessor, Dilma fala pouco. Ao contrário de seu antecessor, Dilma faz muito. Não teremos frases de efeito nem inflamados discursos improvisados. Mas pra que isso? Se ela pode aproveitar o que foi dito durante 8 anos para fazer o que nunca antes na história desse país se fez.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Há o que Temer?

Será que finalmente teremos um vice-presidente? O que vimos nos últimos anos foram vices que acabaram assumindo ou sumindo. Sarney assumiu. Itamar era sumido até assumir. Marco Maciel de tão sumido desapareceu. E José Alencar, o mais carismático de todos os outros foi sumindo pela enorme sombra de seu superior.

Agora, Dilma não é Lula e Temer não é Alencar. E, principalmente, o partido de Temer não é o partido de Alencar. Enquanto o pequeno PRB apenas fez parte do governo, o PMDB não quer só fazer parte. Quer a parte dele. E o partido tem como aliado o vice-presidente. O problema é quando as vontades dos pe-eme-dê-bistas não são aceitas. O governo corre o risco de ter a oposição dentro de casa.

Se Dilma se vendeu como a grande mãe do Brasil, o PMDB pode assumir o papel de filho mais importante da casa. Resta saber ser será o filho rebelde, a ovelha negra, que precisa estar com a mesada em dia para não dar trabalho ou o filho exemplar, que cumpre as tarefas e é recompensado por isso. O problema é que ser rebelde gera mais notícia.

A verdade é que nunca antes na história desse país um vice-presidente tem a chance de ser tão atuante. Se Temer e os outros caciques se entendessem poderiam não ser coadjuvantes no governo sem precisar ser oposição dentro dele. Mas por enquanto o vice tem sido mais falado por sua ninfeta-dama do que por uma posição política diferenciada.