segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Não sabe ler e sabe escrever

O palhaço Tiririca promete ser alvo fácil da imprensa nos próximos 4 anos. Existe uma máxima dentro das redações de jornais que diz: “se não tem pauta para amanhã, é só ir pra porta de um hospital que aparece”. É impossível se passar um dia em um hospital público e não criar uma manchete sensacionalista para o dia seguinte. O descaso com um paciente, a demora no atendimento ou a falta de médicos sempre serão prato cheio para a imprensa. E o Tiririca parece se tornar o hospital público dos próximos anos. Tá faltando escândalo no Congresso? Passa lá e faça um deputado de palhaço.

Hoje estava programada a sua estréia discursando para seus colegas. A imprensa já preparava suas notinhas. A burguesia no twitter já preparava um trending topics do tipo #piorquetápodeficar. Mas esse primeiro discurso já foi adiado. Eu no lugar do palhaço, bem ali no meio do picadeiro faria sim minha primeira declaração no plenário de forma simples e direta:

“Não sei ler. E por isso mesmo, sei bem o que escrever”.

Se ele quiser, saberá bem escrever seu nome na história da Casa. O seu partido tenta blindar seu deputado mais votado, escondendo-o e fazendo que ele fuja de perguntas e declarações públicas. Mas é bom que saibam que se ele falar alguma coisa, a imprensa fará disso notícia, se ele não falar, a imprensa falará dele e por ele.

Na semana passada, quando foi indicado para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara, virou assunto preferido entre aqueles que querem fazer do seu mandato uma piada maior que foi sua campanha eleitoral. Como se sua indicação fosse pior que a de João Paulo Cunha para presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Um presidente que passou fome não era o mais indicado para acabar com a fome da população? Por que um deputado que não teve educação não pode saber levar ao povo aquilo que não teve condições de ter?

E, por fim, quem critica Tiririca na Comissão de Educação não percebeu que a Comissão é de Educação e Cultura. Tiririca em uma comissão de Cultura? Isso sim poderia ser questinável. Mas deixem que o deputado tente escrever uma história diferente para nossa educação. Coisa que muitos letrados não conseguiram.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Deixa a mulher trabalhar

Em sua campanha de reeleição em 2006 a equipe de Lula adotou em alguns de seus programas políticos a frase “deixa o homem trabalhar”. Depois de 8 anos chegou a vez da mulher trabalhar. E Dilma, que sempre foi vista como uma executora e não como uma política mostrou que realmente é isso mesmo. Fez ministros ficarem em Brasília de plantão, caso ela convocasse, colocou técnicos de carreira em importantes cargos, chamou para si a responsabilidade e assumiu cortes de gastos e até mesmo fez questão de mostrar a cara no desastre do Rio no início do ano.

Então se ela está trabalhando está ok, certo? Estaria se o brasileiro não tivesse como passatempo preferido criticar. Se está viajando, o presidente é turista. Se fica demais no país não se importa com política externa. Se inaugura uma obra todo dia, é porque está fazendo propaganda. Se não inaugura, é porque não está trabalhando. Se não vai de perto acompanhar o que pode ser feito em meio a uma catástrofe é um presidente ausente. Aí quando vai é porque está pensando nas eleições daqui 3 anos?

Ontem li em um blog que nem Aécio, nem José Serra, nem Eduardo Campos são os maiores empecilhos para a volta de Lula em 2015 e sim Dilma. Até o PT deu indícios de que não está gostando muito dessa super-eficiência da presidenta. Acham que ela quer ser mais popular que o ex-presidente. E nunca será! Mas ficar dentro do palácio guardando o lugar pro Lulinha ela também não vai fazer. Ao contrário de seu antecessor, Dilma fala pouco. Ao contrário de seu antecessor, Dilma faz muito. Não teremos frases de efeito nem inflamados discursos improvisados. Mas pra que isso? Se ela pode aproveitar o que foi dito durante 8 anos para fazer o que nunca antes na história desse país se fez.