sexta-feira, 11 de março de 2011

A videoteca do Durval

O cineasta Durval Barbosa continua fazendo sucesso com seus vídeos. Após ganhar todos os veículos de comunicação no ano passado com seus primeiros trabalhos, volta a cena agora com a sequência que parece não ter um final programado. Assim que as primeiras gravações apareceram Durval passou a ser escondido, escoltado, protegido e temido. Diziam que a sua videoteca era muito maior. Em Brasília todos desconfiavam que uma pessoa ao seu lado pudesse também estar em uma gravação ainda não divulgada.

O que espanta é a demora para o lançamento de vídeos inéditos. O último divulgado essa semana, estrelando Jaqueline Roriz, foi gravado em 2006. Por que então não foi levado à público junto com a primeira leva de gravações? À época deputada distrital, Jaqueline condenou os políticos como Eurides Brito, que receberam propina na mesma sala que ela recebeu. Por que esperar que ela seja eleita deputada federal?

Imaginemos um cúmplice de uma gangue de assassinos de aluguel que grava todos os crimes cometidos. A polícia o captura e ele aos poucos vai divulgando os vídeos que fez. Mas quando a polícia exige que ele mostre todos os vídeos para que toda a gangue seja capturada ele informa:
- Não vai dar. Tenho mais de 100 vídeos que incriminam muita gente, mas por enquanto só vou mostrar esses 6. Por enquanto vocês prendem só eles. Eu respondo em liberdade por ser cúmplice dos crimes. E aos poucos, quando eu tiver afim, eu entrego outros vídeos.

O que é mais esdrúxulo? Um bandido propor isso ou a polícia aceitar? A polícia tem aceitado, a mídia tem aceitado e, o que é pior, a sociedade tem aceitado. Durval não tem o direito de esconder sua videoteca e mostrar aos poucos, como melhor lhe convém. Muito menos de sair alugando filmes para quem pagar mais. Ou entregando quem não pagar.

 

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